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Por Gabriela Cardoso Carvalho *

É considerável o aumento da participação da geração Z dentro das empresas nos últimos anos. A enxurrada desses jovens profissionais, muito bem-preparados e com a invejável energia da juventude, pode parecer representar uma ameaça para os trabalhadores mais experientes, já que indiscutivelmente a mão-de-obra mais jovem tem menos vícios, é muito mais barata e normalmente costuma ter o tão fomentado engajamento.
Também chamados de pós-millenials, ou centennials, os representantes da geração Z são aqueles indivíduos nascidos no final da década de 1990 até 2010. Representam 23% da população brasileira e ocupam 23 milhões de postos de trabalho – número que deve crescer ainda mais – segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Ambientados em um cenário rodeado por tecnologias, a geração Z tem particularidades que moldam a percepção do mercado de trabalho, as perspectivas para o futuro e as relações sociais. Há ideais que vão além das atividades condicionadas à remuneração, com envolvimento em causas sociais e culturais sem receio de represálias. Aprendem bem (e rápido), estão sempre conectados e esperam que os líderes sejam parceiros e caminhem junto nesse aprendizado.

Algumas das características da geração Z são a facilidade e a habilidade de lidar com a tecnologia. Logo, com tal característica, esta geração vem criando – e utilizando sem demasia – a inovadora tecnologia da inteligência artificial, por exemplo, contribuindo para o melhor desenvolvimento da ferramenta, uma vez que essa geração conhece as necessidades presentes e futuras da sociedade, garantindo um significativo avanço tecnológico.

Já os profissionais que estão há mais tempo no mercado de trabalho e nele permanecem, em especial os chamados baby boomers (pessoas que nasceram entre 1945 e 1964), iniciaram a vida profissional em um cenário de rigidez e disciplina e viveram o apogeu do mercado workaholic, em que valores como status e sucesso profissional eram culturalmente celebrados.

Enquanto a geração Z possui um senso maior de responsabilidade social e ambiental, demonstrando mais interesse por projetos que tenham algum valor não tangível do que, necessariamente, construir uma carreira sólida, os baby boomers têm o perfil mais conservador, valorizando principalmente a estabilidade financeira, com uma certa aversão às grandes mudanças.


Ainda, ao passo que a geração Z preza por um trabalho mais flexível e mais ligado à tecnologia, os baby boomers ainda preferem métodos mais tradicionais.

Diante disso, como lidar com os desafios desse flagrante conflito geracional no mercado de trabalho? A resposta não é simples, e nem poderia ser, na medida em que o mercado de trabalho nada mais é do que o reflexo da sociedade e o modo como os indivíduos se relacionam consigo mesmos e com a coletividade.

É importante ressaltar que cada geração apresenta desafios e oportunidades distintos, e cabe às empresas e à sociedade criar condições para que todas as gerações possam conviver e contribuir de forma positiva. Essa convivência pode trazer inovação, diversidade e novas formas de pensar e agir, o que é essencial em um mundo cada vez mais complexo e dinâmico.

Portanto, embora haja algumas diferenças entre as gerações em termos de objetivos e valores, é importante lembrar que cada pessoa é única e pode ter seus próprios caminhos e formas de sucesso. As empresas e organizações devem estar abertas e preparadas para lidar com essas diferenças, e promover um ambiente de trabalho inclusivo e colaborativo para todas as gerações, valorizando as competências de cada geração, incentivando o diálogo e formando programas de mentorias para trocas de experiências e conhecimento.

Então, quando duas ou mais gerações convivem e trabalham juntas, a troca de conhecimento técnico e, principalmente, de experiências de vida não deve ser vista como ameaça para nenhuma das gerações, mas sim como uma oportunidade de ambas as gerações aprenderem umas com as outras. É exatamente por meio desses aspectos que o trabalho nos próximos anos pode ter sua função social revigorada e sua contribuição pessoal para cada indivíduo renovada e otimizada.

*Gabriela Cardoso Carvalho, advogada sócia da Área Trabalhista de Silveiro Advogados, especialista em Direito e Processo do Trabalho.

Fonte: Jornal Jurid

Silveiro
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